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  • Antonio Mário Bastos

Afinal, qual o seu Partido?

Atualizado: Abr 26

Sempre fora um amante da música!

Aliás, em sua família contava com uma boa quantidade de pessoas que também se dedicavam – ainda que de forma amadora — a tocar algum instrumento musical, por vezes, até, mais de um.

Pouco importava a família a que pertencessem esses instrumentos musicais — Cordas, Madeiras, Metais ou Percussão — nalgum ou nalguns deles ele fazia chegada e dava conta do recado.

Um tempo qualquer, na sua amada cidade, fora fundada uma Filarmônica. (Foto: acervo de José Oliveira)

Sabedor da notícia, procurara os fundadores e se candidatara a dela participar, aí já não como aprendiz, dado que tinha aprendido há algumas décadas e tocava instrumentos de metal, de corda e até de percussão.

Não é demais dizer que preferências político-partidárias existiam naquele lugar, e não havia de ser diferente. Em todo município, como salutar nas democracias, tem lado situação e lado oposição e ali não destoava da marca democrática vivida no momento.

Aos poucos a Filarmônica se formava e crescia. Acolhia jovens de tenra idade, rapazes de topete e moçoilas de franjinha, senhores de meia idade e/ou maduros já pais de famílias, até anciãos septuagenários em diante. Era uma verdadeira interação entre aquelas pessoas de idades, modos e educação diferenciados e miscigenados, porém com um só ideal: a música!

Providenciado um “mestre” para regência da Filarmônica, iniciaram-se os aprendizados, os ensaios, e até tocatas, estas ainda que de forma incipiente, encantadoras àquele público que se comprazia com os bemóis e sustenidos, em praça pública ou nas janelas do salão onde era abrigada aquela sociedade musical.

Viera o período de disputas eleitorais e o lugar fervilhava, quer do lado da situação quer da oposição — era normal tudo aquilo. Quem quisesse que exercesse sua preferência político-partidária ou por determinado candidato, independentemente da sua filiação a qualquer agremiação — se de direita, de centro ou de esquerda —, afinal democracia existe para isso mesmo.

Costumava se encontrar com pessoas amigas e do seu relacionamento, normalmente em lugares onde se reuniam aqueles que faziam parte da corrente partidária que mais lhe aprouvia, o que era e é perfeitamente natural.

Conversa vai, conversa vem, e, de tudo se ouvia.

Falava-se da partida de futebol, ocorrida no domingo entre as duas equipes mais destacadas do município; falava-se das músicas mais tocadas no rádio — poucos tinham acesso a este aparelho naquela época; falava-se dos pretendentes ao cargo político que estava sendo disputado nas próximas eleições. As falas eram livres, desde que houvesse o respeito aos presentes e às suas opiniões.

Como em reuniões desse tipo há toda espécie de público, não era de se esperar que naquelas fosse diferente. Há sempre algum ou alguém que quer mostrar serviço à liderança do momento ou do lugar ou mesmo exercer o seu chamado “espírito de porco” com o fito de colocar em palpos de aranha algum participante que não lhe era cativo.

Não é assim que, um dos participantes a ele se dirigira e lançara a colocação para ao final formular a pergunta: “a Filarmônica foi fundada pelo povo do lado de lá, é dirigida por uma pessoa que não sai da roda da saia do líder político do lado de lá. Como é que você ainda se presta a fazer parte de um projeto que não é do lado da gente? Afinal, qual é mesmo o seu Partido?”

Sem pensar muito, embora atônito com a desfaçatez e do perguntado, além da inapropriação do lugar e do momento, respondera com absoluta convicção e educação merecidas: “meu amo, quando eu entro naquele salão para participar da Filarmônica o meu Partido é a partitura!”

Tonho do Paiaiá©

Dizendo de um amante da música


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